quinta-feira, setembro 21, 2006

O POEMA

I
Esclarecendo que o poema
é um duelo agudíssimo
quero eu dizer um dedo agudíssimo claro
apontado ao coração do homem
falo
com uma agulha de sangue
a coser-me todo o corpo
à garganta
e a esta terra imóvel
onde já a minha sombra
é um traço de alarme
II
Piso do poema
chão de areia
Digo na maneira
mais crua e mais
intensa
de medir o poema
pela medida inteira
o poema em milímetro
de madeira
ou apodrece o poema
ou se alteia
ou se despedaça
a mão ateia
ou cinco seis astros
se percorre
antes que o deserto
mate a fome
Luiza Neto Jorge


"Poet's Passage"
Don Li Leger

6 Comments:

Blogger sem-comentarios said...

Desconhecia essa poeta e adorei :)
assim como o quadro .

Bj***

quinta-feira, setembro 21, 2006  
Blogger Vanda Baltazar said...

Bom!!! que conjunto! :)

Poesia forte.

Talvez como a mensagem inserida nos olhos dos peixes aprisionados em aquarios de sal :)

E neste mundo há tantos peizes palhaços!

Li o teu comentario e entendi-te do principio ao fim...como não te entender?

Há peixes que esperam que o aquario rebente para se libertarem, outros libertam-se por si mesmos...

Para os primeiros, a factura pode ser demasiado elevada...para os segundos, a coragem é imperiosa...

Sinto-me bem por teres compreendido na perfeição o que escrevi :))

Quantos aos espinho :) não doi retirá-los...doi profundamente, cada vez que algo reabre a ferida...cicatrizante, precisa-se! :)

e tempo, também :))

Votos de uma noite feliz e de uma animada 6ª feira :) para o animo... basta ser &ª feira :)


beijinho

Van

quinta-feira, setembro 21, 2006  
Blogger kolm said...

obrigada pela visita aos encantados...

Um bom fim de semana!!
bjs

sexta-feira, setembro 22, 2006  
Blogger veritas said...

Olá Isabel:

É isso! Um poema tem o poder de fazer uma revolução!

sexta-feira, setembro 22, 2006  
Blogger alice said...

querida isabel,

agradeço o seu carinho, sei que não tenho retribuído na medida que merece, mas encontro-me numa fase de pausas sucessivas, regressarei em outubro e desde já tudo de bom para si e para a sua poesia

um grande beijinho,

alice

sexta-feira, setembro 22, 2006  
Blogger Teresa Durães said...

adorei o quadro!

O poema da Luisa Neto Jorge já não faz tanto o meu género.

Mas isso são o gosto de cada um

Boa tarde

sexta-feira, setembro 22, 2006  

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