quinta-feira, março 22, 2007

Dias para relembrar

Chamavam-lhe LOUCO
Hoje.
Hoje, porque tinha de ser hoje.
Porque cada coisa tem o seu tempo.
Hoje, porque hoje não é cedo, nem é tarde.
É a hora certa.
O tempo certo.
Hoje é tempo de o lembrar.
Hoje é tempo de o escrever.
Hoje é tempo de dizer que ele existiu.
Hoje é tempo de dizer que ele não sendo ninguém de especial, foi especial para mim.
Ele dizia que não era nada
Que não tinha nada.
Que não sabia nada.
Dizia que era apenas um homem.
E era.
Apenas um Homem.
Um homem que existiu.
Que passou pela minha vida e ficou algures neste lugar entre a memória, o coração e a alma.
Que passou pelo mundo e partiu.
Ele esteve cá.
Pisou este chão.
Caminhou estes caminhos
O mundo não o viu mas ele viu o mundo.
Tive a sorte de ele me ver, de ele falar para mim e comigo e até de me escutar.
Os meus olhos ainda pequenos, mas já sedentos de ver, também o viram e tentaram ver tudo o que ele me tentou mostrar.
Os meus ouvidos tão pequenos, mas já tão esfomedos de saber, também o ouviram e tentaram escutar e aprender tudo o que ele tão baixinho e tão devagar me tentou ensinar.
O mundo não o viu nem o ouviu.
Talvez o mundo ainda o veja ou ouça um dia.
Através de mim ou de outro alguém como eu que teve a sorte de o ver e o ouvir.
O dia é hoje.
Hoje é o dia de começar a falar dele ao mundo.
E o mundo hoje começa aí.
Em vocês, aí desse lado.
Em vocês que me estão a ler.
Hoje vocês são o inicio do mundo.
Vocês aí, são o inicio de um pequeno mundo que o vai ver através de mim.
Não sei onde ele vivia.
Sei que vivia perto do sítio onde eu vivia.
Via-o muitas vezes.
Sempre sozinho.
Caminhava devagar, como se cada passo fosse a descoberta de um novo caminho.
Olhava devagar, como se cada olhar fosse uma nova forma de saborear o mundo.
Falava devagar, como se cada palavra fosse cuidadosamente escolhida para dizer o que realmente queria dizer.
Sorria devagar, como se fosse aos poucos abrindo o sorriso enquanto também aos poucos fechava a distância entre a alma e o coração.
Vestia sempre as mesmas calças, cinzentas, demasiado largas, presas na cintura com um cordel. Encontrara-as um dia, por ai algures e afirmava serem as mais confortáveis e macias que alguma vez vestira.
Não as trocava por nenhumas.
Por vezes lavava-as, não sei, nem imagino, onde.
Sei que as deixava secar naturalmente sobre o corpo.
Um dia vi-o com as calças molhadas e perguntei-lhe porquê.
Respondeu-me com uma naturalidade surpreendente: - Porque as lavei. Estavam sujas.
Perguntei-lhe porque não as deixara secar primeiro.
Respondeu simplesmente: - Porque queria vesti-las.
Tudo para ele era simples.
Vivia simplesmente.
Vivia em paz.
Plena paz interior. Plena paz com o mundo.
Era essa paz que fazia com que tudo nele fosse lento, não tinha pressa para nada.
Existia simplesmente e tudo na sua existência reflectia essa simplicidade tão dificil de ser um homem que simplesmente se limitava a existir.
Eu escutava-o sempre atentamente e eram muitas as vezes em que depois das suas curtas, simples mas sábias frases, eu nada dizia.
Que dizer perante tamanha simplicidade.
Que dizer perante tamanha sabedoria.
Restava-me apenas pensar.
Cabia-me apenas pensar.
E este apenas era muito.
Este apenas era apenas muito do que ele me deu.
Disse-me coisas que na altura apenas escutei.
Fiquei a pensar nelas naquela altura. Continuo a pensar nelas hoje.
Algumas aprendi, outras espero aprender um dia, outras talvez não as aprenda nunca.
Ele dizia que não era nada.
Mas esse nada que ele era, era um único e grande nada .
Ele dizia que não tinha nada.
Mas esse nada que ele não tinha, é o nada mais dificil de se alcançar.
Uma manhã ia a caminho do liceu e encontrei-o cheio de palhas na roupa e nos seus cabelos muito compridos.
Perguntei-lhe se tinha dormido num palheiro.
Disse-me que não que tinha dormido na casota de um cão.
Eu repeti o que me disse espantada: - Na casota de um cão?
Com a sua habitual simplicidade ele respondeu-me: - Estava frio. Acho que ele não se importou. Dividiu a casa dele comigo e dividimos o nosso calor um com outro.
Fez-me sentido.
Era tão simples e fazia tanto sentido.
Não respondi nada. Fui para o liceu a pensar na simplicidade daquele raciocínio.
Fazia sentido e era simples. Demasiado simples para mim, naquela altura. Tão simples que se tornava complicado.
Voltei a encontrá-lo mais tarde nesse mesmo dia.
As previsões eram de frio também para essa noite.
Perguntei-lhe se ia de novo dormir na casota do cão.
Disse-me que não sabia ainda.
- Talvez se voltar a ter muito frio e o cão não se importar.
Dessa vez não me contive e fui mais longe nas minhas perguntas:
- E tu não te importas de dormir numa casota de cão?
- O cão não te incomoda?
Sorriu- me como se sorri a uma criança que nos faz uma pergunta tola.
Manteve o sorriso no rosto e falou com a sua voz baixa e serena.
- Todos, homens e animais temos frio mas o homem como não têm pêlo tem mais frio que a maioria dos animais, como o cão por exemplo.
As pessoas não parecem reparar isso.
Agasalham os cães com camisolas e cobertores de pessoa, arranjam-lhes belas casotas com portas janelas e tudo, no entanto são poucas as que dão guarida a um homem com frio.
É estranho mas é assim.
O cão, no entanto, sabe que eu tenho mais frio que ele.
O cão sabe que o meu corpo produz calor e o dele também por isso se estivermos juntos ambos passamos menos frio.
Se ele não se importa de dividir comigo a sua casa porque me havia eu de importar?
Agradeço-lhe a guarida e o calor do seu corpo e do seu pêlo.
A diferença entre a casa de um cão e a de um homem é apenas a dimensão.
O homem tem casas muito maiores que o seu tamanho. Usa a casa para guardar todas as inutilidades de que está convencido necessitar.
O cão tem casa para se abrigar por isso a sua casa é ajustada ao seu tamanho. Excepto, claro, quando o dono do cão lhe faz uma casa como se o cão não fosse cão.
Nesse caso a casa do cão é da dimensão da ignorância do seu dono.
Dessa vez fui eu que ri.
Ri-me do que ele disse mas principalmente ri-me de mim própria. Eu vivia numa dessas casas com dois andares cheias de inutilidades. Não o podia levar para casa para o abrigar da noite fria. Não é próprio levar estranhos para casa mesmo que seja simplesmente para os proteger do frio.
Não é mas não deveria ser?
Simplesmente porque acontece que uns temos casa e outros não.
Frio todos temos não é?
Não seria natural que os que têm casa, nas noites de frio, dessem abrigo aos que não têm?
Natural talvez.
Mas não seria nada próprio. E seria certamente muito arriscado.
Logo, quem tem frio, paciência!
Tivesse trabalhado o mínimo para ter uma casita, modesta que fosse, ora essa!
Os mais humanos de nós levam para casa os animais abandonados.
Louvável sem dúvida.
Já levar para casa pessoas com frio, algumas abandonadas também, não , isso é impensável! Não seria nada próprio! E seria certamente muito arriscado.
Ri de mim mesma e de todos nós.
Sorri para ele enquanto lá dentro toda eu chorava, não por ele, por mim, por todos nós.
Ele era livre.
Eu era uma dessas pessoas com uma grande casa, um cão com casota, com mantinha de lã para o frio, com uma bonita coleira e uma forte trela.
Prisioneira eu.
Prisioneiro o cão.
Prisioneiros todos nós que nos aprisionamos nas nossas próprias convenções.
Não fui criadora dessa convenção mas deixei-me aprisionar por ela no momento em que entrei na casa de dois andares e me senti confortável, no dia em que comprei o cão e tive a ousadia de achar que era sua dona.
- Anda à dona/o! Dizemos nós autoritáriamente amorosos.
Ridiculos é o que somos! Queremos ser donos de tudo.
Donos da casa, do carro, do gato, do cão e até uns dos outros.
Chorei com pena de mim. Com pena de todos nós.
A mim todos me achavam “relativamente” normal.
A ele, mesmo sem o verem, todos o achavam completamente louco.
Louco é a palavra mais utilizada pelos homens para definir aquilo que não conhecem.
É louco.
Enlouqueceu.
Vive num estado de estranha loucura.
E pronto, com a palavra "loucura" se explica o que não se sabe explicar.
Ele sabia que lhe chamavam louco e era-lhe totalmente indiferente.
- Talvez até seja. Esse é um diagnóstico que não sei fazer. Dizia-me encolhendo os ombros.
Por vezes cruzávamo-nos na rua cada um com os seus pensamentos e apenas sorriamos.
Outras ficávamos a falar horas, não importava onde.
Num café.
Num banco de jardim.
Na paragem do autocarro.
Na escada de um prédio.
Sentados num muro.
Não importava onde, importava sim que quando nos apetecia falar o fazíamos porque tínhamos coisas para dizer, para perguntar, para responder, para dar, para trocar, para ensinar, para aprender.
Nunca esquecerei um certo anoitecer, em que me cruzei com ele vinda das aulas.
Estava a chover. Não era uma chuva torrencial. Era aquela chuva miudinha que faz o ar parecer carregado de pequenas partículas de cristal, húmidas e brilhantes caindo lentamente.
Nessa altura eu usava muito xailes.
Eram um dos meus acessórios preferidos.
Não estavam na moda.
Usava-os porque os achava esteticamente bonitos.
Usava-os também, é-me agora evidente, como forma de afirmar a minha diferença, a minha personalidade e até a minha, alguma, originalidade.
Gostava de longos xailes de lã, feitos à mão, com malha larga e bastante trabalhada.
Nesse dia trazia um xaile preto. Quando a chuva começou a cair, instintivamente, cobri a cabeça com ele.
O “louco” passou por mim em passo lento e foi um daqueles dias em que apenas trocamos um sorriso.
Soube depois pela minha mãe que ele já me observava enquanto caminhava para mim e que tinha continuado a observar-me até eu lhe fugir dos olhos, desaparecendo do seu horizonte.
Contou-me a minha mãe que ele lhe tinha dito que me tinha visto naquele anoitecer chuvoso envolta numa aura de mil cores.
Que tinha visto dessa aura emanar um brilho imenso.
Que as cores e o brilho da minha aura misturadas com as gotas da chuva eram das mais belas visões que já tivera.
A minha mãe perguntou-lhe porque não me dissera isso a mim, na altura.
Ele respondeu-lhe que na altura nada havia para dizer.
Apenas contemplar.
Diziam que ele era louco.
Se ele era louco que somos todos nós?
Esse louco já morreu.
Foi de viagem.
Foi conhecer outros mundos.
Tenho saudades das minhas conversas com ele.
Tenho saudades do seu olhar, do seu sorriso e da sua voz cheias de paz.
Tenho saudades de me sentir com a aura que ele via em mim.
Hoje é tempo de falar nele.
Hoje é tempo de o escrever.
Hoje é tempo de o mundo o ler.
Hoje o mundo começa aqui.
Hoje pensei nele mais que qualquer outro dia.
Gostaria de lhe perguntar como é agora a minha aura.
Será que ainda tem mil cores?
Será que ainda tem um brilho imenso?
Mil cores tinha a aura dele e eu nunca lho disse.
Vejo-a no céu tantas vezes, a dele e de muitos outros “loucos” como ele.
São auras, as mil cores de que o céu se pinta.

Isabel

"O nosso olhar"
Fotografia de Isabel
Este texto é dedicado à minha "tanta coisa" Bettips

68 Comments:

Blogger bettips said...

Aqui, onde bate o coração e a luz. Obrigada, tão menina! bjinho

quinta-feira, março 22, 2007  
Blogger António Melenas said...

Olá, Isabel,
quase todos os dias te visito e ontem deixei escapar este teu lindíssimo (mais um) e poético texto. É assim. Para os "normais" são loucos e imprevisíveis todos aqueles que escapam à tirania das normas instituídas. Pelos vistos não é de hoje essa tua capacidade de prestar atenção aquilo que te cerca e de veres muito para além daquilo que o teu olhar físico enxerga.
Bem hajas por isso e pela forma brilhante como de tal nos dás conta.
Um grande beijo de amizade para ti

sexta-feira, março 23, 2007  
Blogger Bruna Pereira said...

Hoje foi um bom dia para te ler.

:)

sexta-feira, março 23, 2007  
Blogger Cris said...

história bem contada e ternurenta...bjos e bom wk

sexta-feira, março 23, 2007  
Blogger PEDRO said...

Tenho o hábito de
vasculhar sorrisos todo dia.
aí chega-se aqui no seu.
e comenta-se:
"gostei, voltarei mais vezes."


Você escreve maravilhosamente bem!
simples, leve! Nem te conheço, mas algo em ti me faz te admirar...
Abraços!
Pedro.

sábado, março 24, 2007  
Blogger Su said...

gostei de estar aqui....lendo....relendo.....

jocas maradas de tempo

sábado, março 24, 2007  
Blogger jawaa said...

Como sempre, um texto belíssimo, escrito com a poesia da alma.
Acredita que tens uma aura, há sempre alguém a ver-te assim, que o sintas ou não.
Bem hajas pela dupla visita, é porque gostaste das flores e da luz e isso faz-me feliz.
Volta sempre. É tempo das flores. As rosas estão a chegar...

domingo, março 25, 2007  
Blogger Rui Diniz said...

Uma mao pesada, suportada pelos musculos de um braco a que incontaveis geracoes deram forca activa e passivamente, desenhou uma linha dinamica, hipnotica, uma fronteira a partir da qual todos os que a ultrapassam sao loucos... porque sao perigosos: Fogem da homogenidade e daquele nivel de protocolo social aprisionante. Isto faz com que se tornem exemplos para aqueles que sabem que algo esta de facto errado com a civilizacao ha demasiado tempo. E' o caso da Isabel. Este homem louco nao aparece nas noticias, nao e' apresentado como pensamento alternativo, nao e' aproveitada a sua diferenca.

Como se pode evoluir sem diferenca?

Linda e tocante descricao poetica.
A Isabel e' uma extraordinaria observadora e escultora de palavras...

Com Consideracao,
Diniz

PS: Estou num teclado estrangeiro sem acentos, dai a ausencia deles no texto.

domingo, março 25, 2007  
Blogger Alexandre said...

Ah, um novo texto, que bom! Já sabes que tenho que o imprimir para ler com mais atenção e depois voltar cá para dar a minha opinião...

A fotografia está fantástica, já tentei fazer várias assim mas nunca consegui uma tal perfeição dos raios solares. Parabéns, és tb uma excelente fotógrafa.

Já agora, sobre o nome do teu blog, no meu último tenho uma espécie de desafio para saber porque razão damos uns nomes aos nossos blogues e não outros? Se quiseres lá dar um salto e explicar o porquê do nome do teu nos comentários... força!!!

Beijinhos!!!

domingo, março 25, 2007  
Blogger Erecteu said...

Vim por aí fora para agradecer a visita,preparado para uma, eventual, troca de salamaleques...
Fiquei esmagado e assim fica-se sem muito poder dizer.
Direi com certeza mais tarde, fica somente a nota de que é um texto longo, muito longo até, mas interessante da primeira à última frase.

segunda-feira, março 26, 2007  
Blogger david santos said...

Olá!
Á loucura! Quando me deixas-te. Quando assumi compromissos. Deixei de ser eu. Hoje sou o que sou. E o que é que eu sou? Sou comprometido com responsabilidades. Mas minha loucura, foi-se! A verdade é que me levou a juventude, a alegria, a vontade de fazer coisas sem de ter de repensá-las, enfim, levou-me tudo e encheu-me de responsabilidades. Mostrou-me, também, que viver sem loucura não é viver. É vejetar. É comprir. É, no fundo, não viver.
Parabéns.

segunda-feira, março 26, 2007  
Blogger João Cordeiro said...

Belissímo texto. Adorei.

Obrigado uigualmente por te reveres no que escrevi. Ambos, fomos vitimas de uma ausência forçada.

Beijo sonhador.

segunda-feira, março 26, 2007  
Blogger isabel mendes ferreira said...

eu é que te agradeço.














tudo.

segunda-feira, março 26, 2007  
Blogger Dark-me said...

Confesso que depois de ter, de tão calma me terem deixado as tuas palavras, espero ter uma magnifica noite de sono (q bem preciso).
Obrigada pelas tuas palavras e pela magnifica fotografia.

Dark kiss

segunda-feira, março 26, 2007  
Blogger Alexis Coald said...

Isabel

Como sempre, lindíssimo texto,você escreve maravilhosamente bem!.

Tocante descricao poetica.

A fotografia está fantástica.

Gostei de estar.

Beijinhos do amigo Alexis Coald

segunda-feira, março 26, 2007  
Blogger Mar said...

Hoje foi o tempo...
porque o tempo tinha que ser este
encontrar-te nestas linhas
palavras...sentires
Só posso agradecer "ao tempo"
ter-me trazido até aqui!
Que viva a "loucura"!

bj

segunda-feira, março 26, 2007  
Anonymous Cris said...

Venho agradecer a visitinha e deparo-me com este texto maravilhoso!! É bem verdade que muitas vezes damos tanto valor a inutilidades e esquecemo-nos do que é realmente importante! Obrigada por nos relembrares que para além do que é visível ao olhar existe uma realidade bem mais interessante!

Bjs

segunda-feira, março 26, 2007  
Anonymous sleeping angel said...

bem sem palavras completamente deliciado ao ler o teu texto muito bom mesmo

terça-feira, março 27, 2007  
Blogger bettips said...

Continuas do lado onde bate o coração, sabes. A luz é feita dos reflexos nos teus olhos, a aura dos reflexos da tua alma. E como a tens luminosa! Bj

terça-feira, março 27, 2007  
Blogger Mão Branca said...

Oi.

terça-feira, março 27, 2007  
Blogger TINTA PERMANENTE said...

Um obelisco saído de um cabouco de palavras que se transformam numa sinfonia espalhada em cada quebra.
Gostei da sonoridade que fica. Aposto que Agostinho da Silva teria sorrido, prazenteiramante...
Abraço!

terça-feira, março 27, 2007  
Blogger Maria said...

Tantas vezes a vir aqui sem nada de novo para ler, e de repente... zás, um texto destes!

Belíssimo, Isabel.

Beijos

terça-feira, março 27, 2007  
Blogger LB said...

Lindíssimo texto, pleno de significado.
E excelente foto também.

Beijinho

terça-feira, março 27, 2007  
Blogger daniel sant'iago said...

Isabel, escreves tão bem...
Leio-te sempre até à última linha porque escreves claro e simples...
Hoje, falaste-me de um homem que existe... que não é Deus.
Este era o poema que eu teria querido ler no Dia da Mulher!
Muito obrigado... pelo atraso!
Um beijo.

quarta-feira, março 28, 2007  
Blogger Cusco said...

Olá! Lindo, lindo texto. Um espectáculo. Sabes à medida que o ia lendo ia identificando a personagem. Também já me cruzei com ele e também já lhe dediquei um texto. Mas ele continua na soleira e de vez em quando eu vou falar com ele e beber um pouco da sua loucura. Vou-to apresentar:

--------
"Estás velho, rude, cansado da vida. Estendes a mão aos tostões alheios e ocupas o sol nas soleiras vazias.
Não tens pressa. Não tens relógio nem telemóvel, computador nem Internet.
Sorris a quem passa. Não te vêem, ocupados com o telemóvel, com a pressa ditada pelo relógio, pelo atraso. Saem apressados, bem vestidos, montados em bons carros, atropelando-te na soleira onde bate o sol.
Não sorriem, nem sequer reparam que o sol brilha. Têm pressa.
Vejo-te de relance e abrando um pouco. Muito pouco pois o telemóvel toca e o relógio avança. Tenho pressa! Mas pressa de quê? Francamente não sei! Pressa de ficar velho, pressa de não viver, pressa de te ver crescer e partir? Acho que te vou fazer companhia, jogar fora o telemóvel, o relógio, e pedir-te se me deixas ocupar um canto dessa soleira. E aí eu vou ver o sol e ser feliz, sem pressa nenhuma…nenhuma mesmo!




Até breve!

quarta-feira, março 28, 2007  
Blogger Pierrot said...

Um encantamento este teu texto.
O louco é algo ou alguém que me embala e me distrai definitivamente.
Eu próprio já publiquei alguns trexos de o Louco de Khalil Gibran e acredita que tem muitos pontos de contacto com esta tua história.
A loucura tem tanto de simplicidade como de complexidade. Estão absolutamente interligados estas duas aparentes dicotomias. E para o "teu" louco acredito que não fosse diferente.
São desconcertantes as visões simplistas da vida, pelo menos para nós, ditos normais. "Voando sobre um ninho de cucos" é um outro bom exemplo, uma excelente lição de moral para o mundo do lado de cá dos muros.
E sobre a aura que o "teu" louco viu... fica sabendo que eles conseguem ver o que nós ditos normais não conseguimos, por isso, terás mesmo por certo uma bonita aura.
E tinhas razão, vejo muitos pontos de contacto com o meu último post.
Bjos daqui
Eugénio

quarta-feira, março 28, 2007  
Blogger M. said...

Lindíssimo, Isabel!

quarta-feira, março 28, 2007  
Blogger Stranger à la carte said...

"Agasalham os cães com camisolas e cobertores de pessoa, arranjam-lhes belas casotas com portas janelas e tudo, no entanto são poucas as que dão guarida a um homem com frio.
É estranho mas é assim."

....

quarta-feira, março 28, 2007  
Blogger miruii said...

Escrita soberba, sentida.
Gosto de ti, obrigado, nem sei se te agradeci a visita.
Há mais primavera para ver, ler é mais de outono...
Picada doce para ti

quarta-feira, março 28, 2007  
Blogger arritmia visceral said...

apanho-te as nuances da palavra do Todo, e a rua onde moro alarga e não finda da mesma forma...



a forma como dobras e aguças o meu prazer das letras pede que volte.




volto.

quarta-feira, março 28, 2007  
Blogger alice said...

ó isabel. então vai falar bem de mim nas minhas costas? ;))))))))))

o meu blog é um aprendiz de blog. está longe de merecer prémios!!!

a menina é uma simpatia. nem sei o que lhe dizer. muito muito obrigada

um grande beijinho para si.

quarta-feira, março 28, 2007  
Blogger @zulebranco said...

Bom dia ,
Nunca tinha estado por aqui,
Hoje por acaso passei. tive o privilégio de a ler, e com que prazer !
O que escreve é emoção, bom gosto e poesia,
Obrigado por a partilha de tamanho hino ao bem escrever e sentir.
PARABÉNS

quinta-feira, março 29, 2007  
Blogger as velas ardem ate ao fim said...

Não o conheci mas fiquei a sentir saudades dele...

Lindissimo.

bjinhos

quinta-feira, março 29, 2007  
Blogger coisas que se pensam said...

venho para te agradecer a tua gentil visita e para te dizer que não guardes nunca só para ti os teus estados de alma!

... uma coisa para ti

quinta-feira, março 29, 2007  
Blogger luci said...

surpreendente o teu lugar!

bela escrita. muito.

poética. muito*


:)

quinta-feira, março 29, 2007  
Blogger MARTA said...

Voar é sempre bom......
Como também é repousar os olhos neste belo texto e foto...
Obrigada pela visita ao Minha Página - espero que continue a "voar" até lá.
Beijos voadores
Marta

quinta-feira, março 29, 2007  
Blogger Mr_Lynch said...

Isabel;
Extraordinário!
"O mundo não o viu mas ele viu o mundo." Existem tantos "loucos" cuja "loucura" o Mundo teima em não apreender.
Bravo Isabel.
*

quinta-feira, março 29, 2007  
Blogger pn said...

bela homenagem em short story ritmada, ágil, viva e muito bem entretecida (a forma)

o consumista que sou... envergonhou-se (o conteúdo)

quinta-feira, março 29, 2007  
Blogger olhos cor do lago said...

De poeta e de louco, todos temos um pouco...
Mas o que é bom é sempre para recordar...

Beijos

sexta-feira, março 30, 2007  
Blogger veritas said...

Olá Isabel!

Mais um magnífico texto que nos enche de amor pela tua escrita.

Bjs. Já estava com saudades.

sexta-feira, março 30, 2007  
Blogger miruii said...

Atrapalhaste-me o voo, garota!
Tive de ir ver o que tinha deixado na areia da Bettips. Nada de especial.
Ora como é que um mosquito explica? Ele é pequenito, entra em todo o lado, ninguém o vê, mascara-se, faz teatro imparavelmente... e topa.
Precisas da alma cheia de flores da Bettips, ela enfeita as tuas dores... cuida de ti.
Enganei-me?
Picada louca.

sexta-feira, março 30, 2007  
Blogger Isabel said...

Acho que vou pedir à Bettips que te responda por mim...
Que ela tem a alma cheia de flores lá isso tem... de flores e mil e uma coisas mais.
Mais que flores ela solta sementes por ai... e dessas sementes nascem flores.
Temos de cuidar da semente que ela nós ofereçe... ama-la, rega-la, cuidar dela. Depois a semente fica flor... Nós cuidamos da flor. A flor ilumina-nos os dias e ensina-nos a cuidar.

A Bettips talvez tenha algo a dizer sobre isto... se ela não lhe apetecer falar eu um dia explico melhor.

Voa mosquito... já te vi e gosto que andes por ai.

Isabel

sexta-feira, março 30, 2007  
Blogger bettips said...

Está no sítio da picada, a resposta séria e divertida, sei que vais gostar. É pública...Bj

sexta-feira, março 30, 2007  
Blogger Brain said...

Isabel,

Honraste-me com a tua visita e palavras e não pude deixar de, pela primeira vez, deixar-te aqui um comentário.

Escreves de forma soberba, completa e absorvente.

Com os teus escritos, deixas-nos sem palavras.

Estas minhas serão por ventura banais, mas no entanto, sentidas.

Beijo.

sexta-feira, março 30, 2007  
Blogger Cris said...

Aqui fica um beijinho de bom fim de semana.

Cris

sexta-feira, março 30, 2007  
Blogger Maria Manuel said...

Vim ver a diferença de que falaste e, depois de te ler e apreciar, dizer-te que de uma diferença assim, que me acrescenta e encanta,gosto muito!

sexta-feira, março 30, 2007  
Anonymous entre linhas said...

Neste texto transmites uma paz espiritual muito grande,o sentirmo-nos bem com nós próprios.
Obrigado por este momento de partilha.

Boa semana

Bjs Zita

sexta-feira, março 30, 2007  
Blogger Teresa Teixeira said...

Obrigada pela visita!
Também gostei desta visita...
Encontrei aqui muito alimento para uma alma que anda «magra»...

sexta-feira, março 30, 2007  
Blogger Alexandre said...

Os teus textos, além de estarem muito escritos, são sempre lições de vida! E esta «lição de vida» é fundamental, em especial vista pela tua óptica de observadora e de pessoa consciente... obrigado pelo texto!

Beijinhos!!! Bom fim-de-semana!!!

sábado, março 31, 2007  
Blogger DE-PROPOSITO said...

Um monólogo que são confidências.
Fica bem.
E a felicidade pertinho de ti.
Manuel

sábado, março 31, 2007  
Blogger elsa nyny said...

Isabel!!!

Tu és uma "alma solta"...Sim! Mas uma alma maravilhosa!!
Um momento lindo, este...que ven de ti, do teu coração, eu vejo o teu coração nas palavras que nos deixas!!!

beijinhos linda, linda, linda!
:)

sábado, março 31, 2007  
Blogger serenidade said...

Tão linda esta tua dedicatória,fantástica.

Bom fim de semana.

Sereno sorriso Primaveril.

domingo, abril 01, 2007  
Blogger Lia said...

Loucos não seremos nós que achamos normal ter mais do que o que precisamos e ainda assim sermos eternamente insatisfeitos?
Querer ser livre, mas estar preso a mentalidades sociais impostas e das quais nunca nos atrevemos a discutir. Seríamos loucos, por certo, mas ainda que por breves instantes, felizes...

Beijinhos

domingo, abril 01, 2007  
Blogger P. Guerreiro said...

Mil cores tem com certerza a tua escrita. Não te comentei logo, reli duas ou três vezes o texto, identifico-me com a tua sensibilidade, com esse olhar para o que é banal e que ninguém liga...Tu ligas e a forma como o descreves, essa forma de ver que tu partilhas enriqueçe quem te lê.
Mesmo pelo número de comentários se perçebe que não passas desperçebida...Sou mais um dos teus fans.

Um abraço amigo!

P.S. Não desapareças do mundo da escrita!

domingo, abril 01, 2007  
Blogger miruii said...

Ontem escrevi para ti, tens lá uma flor.
Picada, com desejo de bom final de semana!

domingo, abril 01, 2007  
Blogger Jorge said...

obrigado pela visita.
Podes ainda ver o meu trabalho exposto na sede da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia até 10 de Maio das 10 às 18 horas. A morada é Campo Pequeno, nº 2-13º andar. Há um periodo que corresponde à hora de almoço , entre +- o meio dia e a uma e meia em que o pessoal fecha a exposição para almoço. Se por lá quiseres passar e gostares diz qualquer coisa. Vou ler os teus textos cominteresse e colocar-te nos meus favoritos.
Obrigado. F. Chiotti

segunda-feira, abril 02, 2007  
Blogger olhos cor do lago said...

Que belo olhar...
Vai ver os trapinhos que lá deixei...

Bjs

segunda-feira, abril 02, 2007  
Blogger bom dia isabel said...

Um conto fantástico! Gostei muito, muito! "Chama-se loucura a tanta coisa que não se sabe explicar!"
É verdade! Concordo contigo.
A Bettips, a minha B, ficou feliz.
Beijinhos

terça-feira, abril 03, 2007  
Blogger Unicus said...

É sempre bom deambular pelas tuas palavras..

terça-feira, abril 03, 2007  
Anonymous Mel de Carvalho said...

Isabel, li e reli este texto. Fiquei fascinada na foto que o encerra. Ambos belíssimos!

Loucos somos nós que não atendemos a este mundo e às suas multíplas diferenças.

Um abraço enorme!
Mel de Carvalho
(www.noitedemel.blogs.sapo.pt)

terça-feira, abril 03, 2007  
Blogger Jorge said...

Consegui. Cá estou para a cumprimentar por este texto, cheio de ternura, simplicidade e profunda serenidade afectuosa, ode à um imaginário sábio vagabundo, decorrendo em passos sólidos numa paleta de palavras articuladas de um cromatismo tocante. Pauta de uma sinfonia do utópico sereno por inincontrável e por isso mais forte. Parbéns.

terça-feira, abril 03, 2007  
Blogger Egrégora said...

Isabel andei quase esquecida de vir aqui...

mas é sempre bom aqui o tempo****

quarta-feira, abril 04, 2007  
Blogger Cusco said...

Olá! Aproveito para deixar os votos de uma Santa e Feliz Páscoa!
O texto que acabei de escrever tem por objectivo homenagear todos os meus familiares: Os vivos, os mortos e os que estão por nascer ainda. O mundo é muito, muito pequeno.. … quem sabe se esse cheiro a flores não te persegue e protege a ti também….Para Sempre!!!
Até breve
SE DEUS QUISER

quarta-feira, abril 04, 2007  
Blogger Nilson Barcelli said...

Excelente história.
A tua escrita prendeu-me do princípio ao fim.
O texto é enorme (para blotgues), mas lê-se de um fôlego.
Parabéns.
Beijos.

quarta-feira, abril 04, 2007  
Blogger as velas ardem ate ao fim said...

Bjinho grande

quarta-feira, abril 04, 2007  
Blogger serenidade said...

Que esta Páscoa seja uma época de renascer para uma nova realidade e mais sublime forma de ser cada um.

Beijos serenos amendoados.

quarta-feira, abril 04, 2007  
Blogger António Melenas said...

Olá Isabel,
Acabei por reler esta tua certeira história de "loucos" com juizo.
Aproveito para te desejar uma boa Pàscoa. è costume não é?
Um beijo amigo

PS. Tenho um novo soneto

quinta-feira, abril 05, 2007  
Blogger non said...

Muito Bonito e a querida Bettips merece isto e tudo o que eu não sei escrever nestas alturas (nem noutras...).

Ainda bem que o fizeste Isabel. Cabe-me assinar em baixo, com um carinho muito grande por essa Senhora da sensibilidade.

Parabéns Bettips. Vive a Vida com a arte no olhar. Isso eu Sei que tu tens.

Um beijo Amigo. :)

Madalena.


(obrigada Isabel e parabéns pelo belo trabalho)

quinta-feira, maio 31, 2007  

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